domingo, 20 de março de 2016

...quando experimentei catuaba.

Bebe é docinha, uma delícia.

Tinha uma certeza tão avassaladora naquela voz, que decidi pela primeira vez tomar a famigerada Catuaba Selvagem, com certeza, a bebida era doce, até gostosa, mesmo naquela embalagem de plástico verde horrorosa e com aqueles índios medonhos no rótulo.

Porém após bons goles, percebi porque o troço se chama: Selvagem, você toma aquilo e uma entidade indígena se apossa do seu corpo, quase te forçando a ficar de tanga e cocar na rua.  Além disso, depois de uma garrafa, você é capaz de jurar amor ao vocalista do Molejo e cantar Pablo como se não houvesse amanhã.

Catuaba é bebida para quem não tem medo de perder dignidade e ganhar cirrose, no dia que eu tomei abri canal para a Maria Padilha se apossar do meu corpo, o rótulo tinha que ter o aviso: "Cuidado, possivelmente você dance ragatanga nú na Paulista depois da primeira garrafa."

A bebida é famosa por ser a classe C da festa, mas na verdade o povo toma Catuaba em copo de whisky para fingir elegância... "Catuaba? Não é Cuba Libre." - uma amiga minha falou, mas em segundos ela tava atracada num poste, acreditando ser a Fátima Bernardes no pole dance.

Absinto é café pequeno perto da danada, no carnaval de rua, um cara vendia a garrafa por cinco reais, era para acabar o estoque, no final do trajeto eu me senti dentro de Walking Dead, com um povo fedendo, com camiseta rasgada e querendo pegar qualquer um.

Mas tem o povo que gosta, um outro amigo antes da festa gritou: Não esquece a catuaba! - como quem pede para ninguém ir pelado, uma pessoa que bebe isso devia ser julgada pela inquisição, porque não é uma bebida de Deus, outra fala: "Eu nunca senti nada.", eu também não senti minhas pernas e meus órgãos internos depois daquilo, o troço ferve dentro de você, parece que engoliu uma aspirina inteira.

Seja como for, eu aprendi a nunca confiar em pessoas e nem em catuabas.

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